CAPÍTULO 4 - Parte 01 DE VOLTA AO PASSADO Na época, eu era um jovem detetive. Ao receber um telefonema do delegado Raul solicitando os meus serviços, eu chegava, finalmente, a Tocantínia, pequena cidade inserida nesta grande região. Já não o via há alguns anos, e ficamos muito felizes ao nos encontrarmos. Sentado próximo à sua mesa de trabalho na pequena sala da delegacia, com o dedo indicador de sua mão direita, ele apontava para alguns pontos num mapa e me dizia: "As mortes têm ocorrido principalmente neste trecho que fica entre algumas fazendas, Ricardo." Ergui-me para ver melhor. Em seguida, perguntei: "Sempre nas imediações do riacho, hein?" Ele balançou a cabeça, confirmando: "É o que tenho percebido. Depois da morte do Luisinho e seus amigos, pelo menos mais três pessoas tiveram, também, o mesmo fim. Houve uma pausa de cerca de um mês, se me recordo bem. Mas, ontem, aconteceu outra vez." Pensativo, sentei-me outra vez. F...
CAPÍTULO 1 - Parte 01 A LUA E A MORTE A lua cheia brilhava majestosamente no céu. Convergindo seus raios luminosos para o Vale do Lajeado, deslumbrante região situada no Norte do Brasil, clareava-o de maneira uniforme. Era uma noite de sexta-feira do mês de setembro de 1970. A paisagem noturna, além de fascinante, tinha um quê de magia e mistério . Sentados na margem rochosa de um riacho, três rapazes pescavam tranqüilamente. Lançando o anzol na água veloz e ruidosa , um deles comentou olhando o companheiro ao lado: " Você sabia, João, que o Pedro tá tendo um caso com a mulher do Raimundo?" O outro o olhou com uma expressão de reprovação: "Cuidado com o que fala, Francisco!" Ao perceber a surpresa dos companheiros, ele riu: "Só falei... porque vi, João." "É?... E o que você viu?... " "Lembra daquela festa na semana passada?" "Claro, nós fomos juntos." "Era bem tarde," disse Francisco." "Eu e ...
CAPÍTULO 3 APRESENTAÇÕES O automóvel vermelho parou diante da fazenda de Ricardo Linhares. Após abrir a porta do motorista, uma bela mulher surgiu. Sentado numa cadeira na varanda, ele a observou com curiosidade enquanto ela se aproximava. Tinha cerca de vinte e seis anos, pele muito clara. Usava uma calça branca e uma blusa amarela que combinava com os compridos cabelos loiros. Eram oito horas de uma esplêndida manhã de um sábado. A aparência dela trouxe-lhe à mente uma outra pessoa. Então, logo, uma saudade apertou-lhe o coração. Já próximo a ele, ela o cumprimentou com entusiasmo. Entretanto, no sotaque de sua voz feminina, havia algo de diferente. Ele se levantou e a cumprimentou com um afável aperto de mão. "Bom dia, moça, seja bem-vinda à minha fazenda." Ela se acomodou numa cadeira de frente para ele. Observando-o discretamente, calculou que tinha cerca de sessenta anos. Apesar das marcas do tempo em seu rosto, ele ainda conservava muito da beleza e do charme de...
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